ROMANCES

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ADEUS, PIRANDELLO (2021)

No romance Adeus, Pirandello (2021), a narrativa se passa principalmente entre os anos 1920 e 1930, retratando um evento histórico: a viagem que o célebre dramaturgo italiano Luigi Pirandello realizou à capital federal brasileira da época – o Rio de Janeiro. Pirandello se acompanhava, então, pela atriz italiana Martha Abba, a grande estrela de sua companhia teatral, por quem nutria intensa paixão platônica. Ao longo do livro, Marco Lucchesi transforma o relacionamento entre Pirandello e Martha Abba no motivo principal do romance, ao redor do qual um misterioso desaparecimento acontece; ao mesmo tempo, a densa e veloz narrativa de Adeus, Pirandello se entremeia, de forma surpreendente, com passagens autobiográficas escritas durante a pandemia global que se iniciou em 2020; o resultado é uma fascinante interpolação entre ficção e realidade, solidão e angústia, suspense e paixão, música e teatro, amor e poesia. De leitura cativante e formato ágil e surpreendente, Adeus, Pirandello conclui a trilogia de romances de Marco Lucchesi ambientada no Rio de Janeiro de fins de século XIX e início de século XX, das quais O Dom do Crime (2010; 2022) e O Bibliotecário do Imperador (2013) foram as outras partes.

 
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O BIBLIOTECÁRIO DO IMPERADOR (2013)

O Bibliotecário do Imperador (2013) é o segundo romance de Marco Lucchesi. Ambientado no Rio de Janeiro do século XIX, cenário também de seu primeiro romance, O Dom do Crime (2010; 2022), em O Bibliotecário do Imperador temos a história de Ignácio Augusto Cesar Raposo, bibliotecário de D. Pedro II. Este homem real, que foi testemunha dos bastidores do Palácio de Petrópolis e da Corte no Rio de Janeiro, é usado por Marco Lucchesi como um fio-condutor por dentro do labirinto de vozes do romance, refletindo as muitas alterações no tabuleiro de poder e da vida cotidiana do Rio de Janeiro, a partir da Proclamação da República em 1889. Mas não se trata, contudo, de um romance histórico típico. Personagens reais e fictícios se misturam e convocam o narrador misterioso a se confrontar, enquanto interagem consigo mesmos; as vozes se multiplicam como num jogo de espelhos, com Marco Lucchesi se utilizando, para tanto, de elementos visuais e figurativos, bem como de recursos metalinguísticos, para além de sua conhecida e fascinante prosa. O Bibliotecário do Imperador recebeu o Prêmio Machado de Assis da UBE em 2013, e foi finalista do Prêmio São Paulo em 2014.

 
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O DOM DO CRIME (2010; 2022)

Recentemente republicado pela Editora Rua do Sabão (2022), o primeiro romance de Marco Lucchesi, O Dom do Crime (2010), se passa no Rio de Janeiro do século XIX, sob os olhos de um erudito advogado, já em idade avançada. Ao ser aconselhado por seu médico a escrever suas memórias, este misterioso narrador se lança não para a própria vida, e sim sobre o relato de um célebre crime passional, cometido décadas antes por um certo Dr. José Mariano da Silva, causando grande notícia no Rio de Janeiro de Machado de Assis. A partir daí, as semelhanças entre as circunstâncias do crime, dissecadas pelo misterioso narrador, e a gênese da obra mais famosa de Machado de Assis, Dom Casmurro, fascinam a leitura e movimentam o romance; realidade e ficção se entrelaçam, diluindo a verdade dos fatos e revelando a complexidade da vida, tudo sob a luz da literatura. O Dom do Crime ganhou o prêmio Machado de Assis da UBE em 2011, foi finalista do Prêmio São Paulo no mesmo ano; em 2012, foi contemplado com o segundo lugar no Prêmio Brasília.